
Todos devem conhecer um vizinho, parente ou amigo que é “doente” pelo seu time, que perdeu amizades, fez amizades e tudo o mais em torno do futebol. Não raras as vezes conhecemos histórias engraçadas e não menos curiosas que envolvem o fanatismo no futebol. Mas até que ponto esse suposto amor pelo clube é algo normal, e em que ponto começa a extrapolar do limite aceitável?
O futebol é um esporte sem barreiras sociais, e em muitos momentos tem a poder de unir pessoas dos mais diferentes locais e aspectos econômicos, sociais ou culturais em torno de um mesmo objeto de amor ou “adoração”, no caso uma agremiação ou time de futebol. Quantos casos de relacionamentos construídos (e desfeitos também rsrs) conhecemos com base em pessoas fanáticas por determinado time? Aliás, esse tema só já oferece uma gama de textos bem interessante.
O futebol permite ao torcedor criar uma identidade com o time, permite assumir até a posição do jogador dentro de campo, através do olhar e das emoções sentido. E não basta apenas torcer, o indivíduo se permite dar opiniões, imaginar táticas e jogadas, tudo isso baseado na perspectiva de um jogo melhor e o consequente (ou não) resultado positivo. E o mais engraçado e interessante é que através de seus conhecimentos sobre futebol, constrói teorias e táticas que na maioria das vezes são aquelas horizontalmente opostas às utilizadas em campo, em especial quando o time perde.
Após os jogos, as rodas nos bares, entre amigos e conhecidos analisando os jogos, por vezes de maneira nada imparcial, denota o quanto o futebol tem uma relevância na vida, em doses diferentes, claro. Existem torcedores que comentam nas horas depois sobre o jogo e pronto, aquele jogo é passado. Mas tem aquele grupo de torcedores que ficam “remoendo” sobre a derrota ou comemorando a vitória por um tempo ainda.
Quem é fanático tem o costume de dizer que “não escolheu” ser fanático. Que o sentimento floresceu e que não se imagina de forma diferente. Nesse ponto, eu entendo e de certa forma concordo. Quem é torcedor fanático sente-se parte do clube, de maneira que uma derrota faz o dia seguinte se tornar amargo, e faz de uma vitória o motivo para alegrar e ficar animado. Desde que não interfira de forma significativa na vida social e profissional, tudo certo. O problema é que o resultado se torna a justificativa para atitudes impensadas ou com uma dose de exagero; violentas.
Conviver com o futebol e saber aprender com ele é algo fundamental. Tanto no futebol como na vida aparecerão barreiras (adversários) mais fortes, que desafiam a um grau de exigência maior. Derrotas são parte do futebol, e a derrota de hoje pode ser o sinal que é necessário uma mudança de postura ou de tática, que lá na frente pode levar à vitórias.
Não sou contra o fanatismo. Até me considero um fanático se tratando de futebol. Mas tudo precisa ter um limite, precisa existir um nível do qual é aceitável a paixão e amor pelo clube influenciar, de maneira que se evite problemas ou atitudes impensadas.
Dito isso, só resta afirmar que o amor ao time de futebol é algo que mexe de forma indescritível com o torcedor. Só quem realmente é, entende. Da alegria de uma vitória, aos aprendizados que pode ser tirado de uma derrota. Enquanto existirem torcedores assim, que de certa forma fazem da sua paixão pelo clube algo intimamente ligado à sua vida, podem ter certeza, o futebol ganha um encanto a mais. Claro, desde que seja dentro do limite do tolerado e do que diz respeito aos princípios de vida
Escrito por: Michel Richard